O "Capital" e a imprensa







Vivemos uma terrível pandemia, que não é o único "inimigo" que temos de combater, há outras pandemias bem mais duradouras.....uma delas pode colocar em causa a própria democracia.....a da desinformação e manipulação.

Uma tarefeira da RTP1 tenta criar um facto político na entrevista com a ministra da Saúde. Ajuda Internacional para Portugal. A ministra admitiu a ideia no plano meramente teórico, académico, perante a insistência da tarefeira. Seguidamente toda a outra imprensa faz manchetes de que Portugal vai pedir ajuda internacional.

A notícia começa a aparecer em jornais estrangeiros. Já há jornalistas portugueses a verem médicos alemães em hospitais portugueses, outros a verem políticos portugueses em reuniões com Ângela Merkel. Portanto a ajuda internacional está já decidida, pelos jornalistas.
O governo não confirma o cenário e repete-o algumas vezes. Mas isso não interessa nada para a narrativa inventada por Fátima Campos Ferreira.

Hoje mesmo, na Antena Aberta da Antena 1, "gerido" por António Jorge, a pergunta aos ouvintes é a seguinte: "concorda com a ajuda internacional a Portugal?".


É esta perversão que temos em Portugal no jornalismo. São agentes políticos de áreas políticas determinadas, anti-democráticas, e tentam fazer a agenda política do governo num momento, tremendo, de combate à pandemia.

Ontem mesmo, e criminosamente, perante a avaria de parte de um sistema de oxigénio num hospital, por sobrecarga, o pânico em directo de alguns canais era de que "tinha acabado o oxigénio" aos doentes, tentando fazer um paralelo com o que se passou em Manaus, no Brasil.

Lembro-me bem, e sou insuspeito, porque nunca o apoiei, quando rebenta a crise financeira internacional, de, o governo de Sócrates, ter garantido com Ângela Merkel apoio ao país sem passar por uma intervenção da Troika e mantendo a soberania portuguesa, o que fez a imprensa e os partidos de direita.
Tanto ruído fizeram a exigir assistência e intervenção externa que esta teve de ser feita. Aliás António Lobo Xavier corrobora essa análise da responsabilidade táctica da direita nesse momento.

Intervencionados pela Troika de má memória. Com os custos que se sabe. Mas era exactamente essa a agenda política dessa gente. Aproveitar, como fizeram, a intervenção externa para irem muito para além da Troika, como reafirmavam de peito cheio, nos seus desígnios de destruição do país. Passos Coelho o agente dessa estratégia. Na ausência de uma política concreta para o país, era cavalgar a troika e prosseguir na destruição pretendida. A justificação era a intervenção externa, a cobardia política, o método político subjacente.

Têm na imprensa um "gabinete de intoxicação anti-democrática" e manipulação da opinião pública, "articulado", que secunda, quando não inicia, essa mesma agenda política desse sector.

O limite é até onde possam ir..........depende do que permitirmos....... Até uma nova ditadura se conseguirem.

Restaurar a oligarquia económica, os oligopólios, colocar o país, de novo, na dependência das mesmas famílias que perderam esse privilégio parasitário em 25 de Abril de 1974. Retomar o percurso perdido com a democracia. 
E, sobretudo tirar direitos, tirar os direitos. Destruir o Serviço Nacional de Saúde, a Escola Pública, o Sistema de Reformas e Pensões, o Direito do Trabalho, em suma, acabar com o Estado Social e com o sistema democrático.

Não, não é jornalismo nem liberdade de informação, não, não é nenhuma dessas coisas, aliás há muito que não existe jornalismo em Portugal, ou é muito residual. Nem informação. Existe, sim, manipulação grosseira da informação e tentativa de controlo da agenda política do país.
Na táctica sôfrega de aceder ao poder para a nossa direita/extrema-direita vale tudo, vender o país, trair o país, criar o pânico generalizado, denegrir a imagem do país, destruir o país. destruir a democracia e o texto constitucional. A política seria a da "terra queimada".

Porque verdadeiramente o que lhes interessa não é o país nem a sua gente. Nunca foi. O que lhes interessa são os negócios, a própria riqueza e os seus interesses corporativos como classe social. Aliás de visão imediatista e repentina, a qualquer custo.

Temos de fazer algo. Temos de agir!


Nenhuma democracia resiste muito tempo a tanta conspiração destrutiva. Urge rapidamente inverter as políticas. Aprofundar o Estado Social e as políticas sociais e de direitos. 
Ninguém, mesmo ninguém pode ficar para trás. e não como slogan de marketing político, mas como políticas efectivas, concretas, reais. As pessoas têm de sentir que isso é uma realidade. Que podem contar com a democracia e com o Estado Social.


Uma ala dessa conspiração anti-democrática, a nova geração de empresários, dos velhos interesses, já mudou de peças no xadrez dos financiamentos partidários e da aposta política. A inspiração no criminoso Steve Banon aí está.
Agora apostam no "cavalo inconstitucional" da boçalidade, da provocação, da mentira declarada, do populismo abertamente anti-democrático, do racismo, da xenofobia, do neo-fascismo.


A "velha senhora" saiu à rua após mais de 40 anos confinada pela democracia de Abril de 74....


Já não precisam de fingir, já têm há muito a imprensa, incluindo a de serviço público, a preparar-lhes essa saída, a narrativa e a fazer-lhe a agenda política.


O caminho foi aberto.......cumpre-nos fechá-lo , de novo.


A bem da democracia, económica, social e política, das liberdades democráticas, dos direitos cívicos e sociais e do futuro de todos nós. 

Não podemos ficar "políticamente confinados".

Francisco Colaço

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