"Que Fazer?"

 




“Que fazer?”

 

 

A vida, a vivência, a espuma dos dias, a vontade de sonhar e construir futuros leva-nos, muitas vezes, à audácia, a novas apostas, a novas formulações, à busca de outras lógicas.

Mas cuidado, porque aquilo que aparenta ser novo e de retórica fácil, por vezes é velho, muito velho e até já deu muitos maus resultados…….a retórica fácil nunca foi boa conselheira…..

Isto a propósito do pensamento que se expressa numa pergunta, que historicamente ficou emblemática e que nos deve sempre acompanhar, para não perdermos o sentido crítico nem assumirmos as verdades absolutas, dogmáticas como a solução final, há muito encontrada.

“Que fazer?”

Só uma certeza persiste, a necessidade das lutas, constantes, necessárias, fundamentais para se construírem projectos e futuros……..processos sempre dinâmicos, sempre dialécticos, necessariamente democráticos.

Apesar disso……

O engodo, mal disfarçado, do ultra-esquerdismo, não é nada de novo.

Há muito morta e enterrada, a social-democracia, não pode servir, sofisticamente, para desvarios e construções ideológicas “ultra-esquerdistas” que nada acrescentam, nada resolvem, nada propõem......às vezes em processos onde se adivinha uma súmula de aspirações pessoais para novas guinadas, geralmente, à direita na fase seguinte da história.

Tudo isso tem paralelos na história, não é nada de novo.

Ainda que "mal-comparando" , essas construções teóricas nos anos 30 do século passado entre fascismo e social-fascismo, estalinistas, acabaram por entregar o poder, na Alemanha, nas mãos de Hitler.

É o que costuma acontecer quando não percebemos a realidade, nem como intervir na mesma de forma decisiva e eficaz, mas sim, unicamente, meras efabulações ideológicas, que se vão elaborando, regularmente, só porque há que dar sinal de vida.

Resolver, aqui e agora, problemas concretos para gente concreta, é a tarefa que muitos não sabem, não querem, e nunca pensaram, na miríade de "grandes educadores da classe operária", distantes e absolutos, figura ridícula, que hoje já não se apresenta assim, mas que reside, ainda, em muitas estruturas mentais, e universos intelectuais.

Enquanto a via das reformas servir para ir melhorando a vida das pessoas, " a paz, o pão, a educação, saúde, educação", pois que outras soluções não se apresentam exequíveis, de momento, que sigamos por essa via, ampliando-a mais e mais democraticamente. A democracia nunca poderá ser uma táctica, antes uma cultura e um projecto político, paralelo, na construção de sociedades.

Já quando o sistema bloquear ou "disfuncionalizar" se encontrarão, com todas e todos, as soluções adequadas, democraticamente decididas, pois que nunca haverá limites à imaginação, para encontrar soluções para as injustiças e desigualdades sociais.

Nem as revoluções chegam por via postal, do "Circulo de Leitores", nem os revolucionários vêm na "Farinha Amparo", essa deverá ser a única certeza.

Há, todavia, um processo permanente, paralelo, de construções de análises, de experimentações sociais, sempre necessário para que se não esgotem nem as lutas nem as formas de lutar pelo novo, pelo diferente, pelo justo.

"As revoluções são sempre impossíveis até que se tornam inevitáveis" e acontecem "quando os de cima não podem e os de baixo não querem", e não por qualquer criação/projecção subjectiva de agenda/projecto pessoal, ou de poder auto-proclamatório.

Estar e agir, sempre, solidariamente, pois não há outro caminho.......estar com a gente, todos os dias.........e com todas as lutas.

É uma boa “receita” de terapia social e política.


Francisco Colaço

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