"Antigamente é que era bom"......

Ouvimos isso muitas vezes, mais do que as desejáveis. 

Evidentemente que não foi mau para todos, a ditadura salazarista/caetanista.



Alguns beneficiaram e muito e viveram acima das nossas possibilidades, mas foram uma infima minoria. 

Por isso andam agora por aí, a atacar a democracia a dizer que antes é que era bom.....acredito perfeitamente que, para esses, antes tivesse sido bom, isso só os identifica como lacaios e parasitas do antigamente, à custa da má vida da maioria do país. 

Ou então onde estão os milhares de informadores da PIDE, que nunca foram identificados, pois foram destruídos os arquivos, que tinham o país amordaçado pelas denúncias? 

E que eram pagos por cada denúncia que faziam. 

Bastava terem falta de dinheiro e toca a denunciar uns tantos vizinhos ou colegas de trabalho para receberem mais umas migalhas do regime. 

Assim desenvolveram esses miseráveis cidadãos a consciência de que estavam melhor que agora. E é verdade. 

Pena que a democracia tenha sido tão tolerante com esses lacaios, má gente, maus vizinhos, maus colegas de trabalho, maus pais e maus maridos/companheiros. Muitos deles faziam o pleno em toda essa caracterização. 

Embora provas documentais fossem destruídas, todos sabemos por onde eles andam e quem eram. É/era muito facil identificar um denunciante ou um informador. Com meio século de prática as pessoas começaram a saber identificá-los. 

E claro, como miseráveis que eram, acabados os subsídios das denúncias, miseráveis voltaram a ser e com as dificuldades de se integrarem na democracia, e muitos optaram por uma certa marginalidade social, política, e com a falta de empatia que os caracteriza, mais aumentou a sua miséria. 

Em geral não têm amigos, nem na família que os identificou, têm más relações com a descendência, nada de formação, ou pouco que lhes valha profissionalmente. E isso aprofundou a sua miséria e a das suas famílias. 

Será normal, hoje, o ódio à democracia, a apologia de que antigamente é que era bom (para eles, claro que sim, embora como lacaios), e o apoio a organizações neo-fascistas/populistas que acabam de conseguir legalizar-se, com o acordo "estranho" do Tribunal Constitucional. 

Cuidado não comece e democracia a ficar minada por dentro das suas instituições. e há ligeiros sinais disso. 

Portanto, é verdade que para alguns, que não só para a oligarquia fascista/imperial, antigamente era melhor, e que agora é pior. 

E também é verdade que alguns desses ou suas famílias têm essa identificação com o regime ditatorial que vigorou entre 1926 e 1974, desgraçadamente, e que levou este país, de novo para o século XIX, pré revoluções liberais. 

Eles existem andam por aí e agora têm uma expressão política organizada. PIDES e familiares, militares e ex-militares fascistas e familiares, membros e ex-membros da forças de segurança e familiares, ex-denunciantes e familiares, a segunda geração dessas identidades andam por aí, que a primeira já se finou, por idade ou estarão muito idosos. 

As honrosas excepções, nestes segmentos, só valorizam a democracia, obviamente. 

Esse caldo de cultura neo-fascista sempre existiu, andavam eram marginais, calados, sem expressão orgânica. Agora perderam a vergonha e os seus descendentes ideológicos nunca a tiveram pois até já têm uma expressão orgânica parlamentar. Estão aí, sempre por aí andaram. 

De nada serve explicar-lhes o que foi a ditadura, eles sabem o que foi, viveram dela e para ela. 

Os seus inimigos são: toda a restante sociedade, os inimigos são os seus semelhantes, os pobres também, como eles. 

Os outros os poderosos, que vão virando "sabiamente" consoante o ciclo político, para se manterem à tona dos privilégios, não os incomodam, aos lacaios, são a mão que lhes hão-de voltar a dar de comer.

 Mão que a muitos já os alimentam de novo, para as novas tarefas que têm a desempenhar, atacar a democracia, as suas instituições e desviando a atenção das crises, do essencial, nunca do próprio capitalismo nem das suas injusticas, mas da "peste grisalha", dos idosos reformados que nunca mais morrem, dos imigrantes que nos vêm roubar os empregos (os que ninguém quer) ou dos ciganos que recebem os parcos subsídios, que nos "levam" à ruína e que ajudam a integrar melhor todos os que a "sorte" não ajuda. 

Falam contra a corrupção, mas são os maiores corruptos, falam de ética e nunca a tiveram, dizem que antes não havia nada disso e é a mais pura das mentiras, aliás foram 50 anos de escola de corrupção, tráfico de influências, favorzinhos generalizados, até pedofilia e prostituição infantil institucionalizada era um dos condimentos daquele regime. Mário Soares, entre outros, pagou com a prisão essas denúncias, internacionalmente.

Eles, os da ditadura, e das denúncias, ou seus descendentes ideológicos andam por aí a minar e a angariar apoios, para ampliarem a sua voz, com muita mentira, muito ódio e muita demagogia.

Saibamos empregar a argumentação adequada, sem preconceitos formatados e não demasiado ideológicos para podermos ser entendidos pelas novas gerações e isolar esse cancro social e político qual pandemia contagiosa. 

O que querem e defendem?

Eles querem a destruição da democracia, do Sistema de Reformas, do sistema de Segurança Social como os Subsídios de Desemprego e outros apoios, o fim da Saúde Pública e gratuita, o fim da Escola Pública, para só os filhos da sua oligarquia e elites terem acesso aos estudos superiores. 

Para os outros será o assistencialismo, talvez com a Cáritas, os Bancos Alimentares, enquanto houver. tudo muito mau e de má qualidade, mas só para os muito pobrezinhos, a tal caridade dos chocolatezinhos pelo Natal para as crianças dos bairros de lata, como faziam na ditadura finada em 25 de Abril de 1974.

Fome e frio para o resto do ano. 

Era assim que faziam propaganda e descarregavam as consciências, os que as tinham.

 Assistencialismo, caridadezinha, miséria e submissão, essa será a nova ordem para a nova república anunciada pelos lacaios e mercenários dos grandes grupos económicos e de alguma média burguesia e dos grupos de choque terroristas da extrema direita.

Os miseráveis de sempre aguardam, atentos, pelas migalhas com que se pagam aos traidores pelo seu papel de denúncia e perseguição aos seus semelhantes. 

E ainda há "Estados", recentes, que fazem homenagens póstumas a esse tipo de gente, criminosos e assassinos. Mas são os nossos criminosos e assassinos, defenderão alguns. Pois, bem os entendo, é o ADN de 500 anos de colonialismo e 48 anos de ditadura fascista a manifestar-se de novo.


Não nos esqueçamos, eles andam por aí, nas mais diversas matizes. 


Estejamos atentos e vigilantes, pela democracia, pelas liberdades democráticas, pela solidariedade, pelo multiculturalismo e na defesa do texto constitucional, como garantia da continuidade da nossa vida em comum de valores e práticas democráticas.  


25 de Abril Sempre, Fascismo Nunca Mais!!!!!!!!!


Viva o 25 de Abril!!!


Francisco Colaço

Comentários

  1. E não esqueçamos: estão sempre a lembrar que se vivia em segurança e a criminalidade era menor, mas devia-se ao facto de a censura só permitir a publicação de crimes que tivessem sido resolvidos, para não dar uma imagem de ineficácia à polícia. Parecia tudo calmo porque não se falava disso.

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