Homofobia e Estereótipos nos Serviços Públicos


Vem de longe a noção que nos diz que todo o homossexual é promíscuo e, como tal, deve ficar em isolamento profilático até prova em contrário - como se o heterossexual não fosse promíscuo ou, alternativamente, como se o ser humano fosse monógamo e só uns quantos “anormais” - todos homossexuais e apenas estes - fossem polígamos. 

Também a associação, abusiva a todos os níveis, que existe entre a homossexualidade e a pedofilia é um factor constante nos noticiários. Quem não se lembra da sistemática sequência noticiosa nos telejornais entre o escândalo da Casa Pia e uma qualquer notícia sobre homossexualidade? 

À força de insistência, vão-se reforçando os estereótipos em torno destas questões.

Conheço heterossexuais promíscuos, assim como conheço homossexuais monógamos; e conheço casos inversos.

Se no caso das notícias a coisa é grave, porque contribui para a desinformação e para o espalhar de noções erróneas sobre os comportamentos humanos - falhando assim na sua obrigação deontológica de isenção e de descoberta da verdade que se esconde na espuma dos dias - o caso torna-se muito mais grave quando os próprios organismos públicos fazem tábua rasa das normas legais que são forçados a seguir e estabelecem para si mesmos regras de atendimento dos cidadãos (e aqui friso o género, porque é do sexo masculino que falo) que violam os mais elementares direitos e garantias garantidos constitucionalmente pela República (designadamente o Artigo 13º da Constituição da República Portuguesa).

O último episódio protagonizado pelo Instituto Português do Sangue, de profunda descriminação em que um dador benévolo de sangue, homem e homossexual assumido, foi impedido de contribuir com a sua dádiva para o bem comum é apenas, e lamentavelmente, mais um episódio que ilustra o que vai de profundamente errado no funcionamento dos organismos públicos portugueses.

Mas também o Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge erra ao considerar na avaliação da saúde sexual e reprodutiva apenas as perguntas feitas a mulheres com idades compreendidas entre os 15 e os 55 anos (intervalo estatístico de reprodução), reduzindo assim a esta minoria o ónus da prevenção e da promoção da saúde sexual e desobrigando todo o género masculino de se preocupar com tal coisa… ao fim e ao cabo, os homens ainda não engravidam.


Miguel R

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