A História não se faz de equívocos, mas de proposta.

 


Os equívocos do radicalismo sem consistência

 

O radicalismo sectário como forma de afirmação, de diferenciação, de luta por lugares, é um esforço inútil. 

Porque não afirma, não diferencia, não conquistas lugares. Porquê?

O facto de exagerado ruido e radicalidade extremista com os “sound bytes” afastar a audiência faz com que seja todo o esforço inútil. 

Sem estabelecer comunicação, sem estabelecer uma audiência, nenhum efeito político consegue os seus objectivos, para além do ruído e da comunicação para o interior. Sai um efeito de enquistamento, de guetização, de “marginalidade”.

As fases políticas podem ser estabelecidas em agit-prop, unicamente agitação ou propaganda ou de construção, com mobilização, de soluções, de proposta, de resposta.

Naturalmente que dependerá do contexto político geral ou social/político.

Certa vez um dos dirigentes do Bloco de Esquerda questionado sobre o papel do Bloco na sociedade portuguesa, sobre se era um “partido revolucionário”, disse, mais ou menos isto, e digo-o de memória: “O Bloco fará o jogo democrático, crítico, de mobilização cidadã, apresentando propostas legislativas e procurando melhorar a sociedade portuguesa no sentido de os mais desfavorecidos e dos trabalhadores melhorarem a sua vida, assim como a cidadania se estender a largos sectores sociais. 

Caso alguma vez a sociedade imponha um “bloqueio” a todas essas possibilidades, não faltará imaginação no Bloco e na sua militância para encontrarem as soluções adequadas para se enfrentar e sair desse bloqueio social e político.”

Ora estamos na fase da proposta e da apresentação de soluções legislativas, de negociações à esquerda, procurando confluências e apresentando desafios à governação para soluções que mantenha os sectores neo-liberais que levaram o país ao fundo na sequência das suas governações. 

Ora é proposta política, desafios, diálogos com a sociedade e com os largos sectores sociais que se mobilizam para as mudanças necessárias e que se lançam os desafios para enfrentar alguma tibieza e indefinição da governação na busca de uma solução de continuidade no afastamente das austeridades das políticas contra os trabalhadores e por politicas sanitárias, sociais, laborais, educativas, de investimento público que coloquem de novo o país nos caminhos dos princípios constitucionais de Abril. 

Queremos ser parte da solução. Parte da proposta e não parte do problema.

Bem sei que nem todos assim entendem, mas muitos desses será só uma questão de lugares de destaque, e não de pensamento global positivo/construtivo. 

Quando se perde algo, a reacção costuma ser de perda, sem orientação, sem visão construtiva, sem proposta concreta. Mas isso deixo para o campo de psicologia ou da sociologia.

Fico-me pelo campo da política, da intervenção preocupada e com sentido, com proposta.

Lanço um repto, saiam dos casulos da crítica pela crítica e construam ou tentem construir soluções, pontes, diálogos. 

Mesmo que com dificuldade, creio que vale a pena. Os tempos não estão de feição e será altura de fazer pontes ou construir proposta e não de dividir por dividir, por muito queixume que exista, nem de seguir algo que se assemelha à máxima “anarquista” do século passado….


”Há governo? - Sou contra!”. ..........Não “adivinho” futuro para essas posturas políticas.


Sem proposta não há saída política.


Francisco Colaço

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