A "chico-espertice" e a ética democrática e republicana em Portugal
A "chico-espertice" e a ética democrática e republicana em Portugal.
Foto: reprodução internet.
Uma directora geral de saúde de um país europeu na fila para a vacinação, porque chegou a sua vez, por idade, como qualquer vulgar cidadão foi o que acabei de saber e ver as imagens...........que orgulho sermos amigos há muitas décadas, não esperava outra coisa dela.....ética pública republicana, ninguém é mais que ninguém mesmo que desempenhando um cargo de tal importância.Quanta diferença para este nosso país de "chico-espertos", em que os bicos de pés e a pressão corporativa e familiar/amical continuam a ser o meio para se ficar à frente de outros, com tratamento priviligiado/prioritário........que mentalidade nos ficou do império, de uma ditadura com os seus favorzinhos caseiros, onde eram usuais os bilhetinhos de recomendação, garantindo privilégios a quem os apresentasse.
Existe um "principio" de que uma parte deste país terá privilégios "óbvios" sobre a outra parte......ou por posição na administração e no aparelho de estado ou por posição tecnico/social/profissional no próprio país.....mas é uma cultura que ainda existe, infelizmente e quando é denunciada logo muita gente se faz escandalizada, mas logo se faz com que as consequências sejam, nulas.......obviamente, para o sistema......
Os deputados do grupo parlamentar do Bloco de Esquerda fizeram muito bem, na minha opinião, não quererem tratamento priviligiado para serem vacinados, porque sáo deputados......foram os únicos. Os únicos.........Já o serão, cada um na sua vez, pela ordem natural de vacinação.
E sabem, o mais curioso, logo, gente do bloco central os apelidaram de "populistas"....quem defende e pratica a ética republicana e democrática é "populista"....para eles o normal são os favorzinhos e os tráficos de influências.....está tudo dito......o tanto que temos de mudar......
Num país de "chico-espertice", onde se vacinam irregularmente, a família, os amigos, os vizinhos só se pode dar esse exemplo de ética republicana que a sociededa se deve reger por normas pré-definidas e do conhecimento geral com toda a transparência.
É certo que oficialmente as coisas não estão a funcionar assim, tal é o atabalhoamento, perceptível, deste processo.....
Há dias informava-se o país de que as pessoas se tinham de propor/inscrever para serem vacinadas.........consultei o meu número de utente e afinal já estou na lista previsional do SNS para ser vacinado. Esperarei que me chegue a mensagem para ir vacinar-me, na minha vez e com toda a transparência.
Mas onde estão os planos, as previsões. o relato das metas alcançadas por dia e por semana, a meta por idade, e ao fim e ao cabo os balanços diários/semanais dos objectivos propostos e os alcançados?
Não queremos só saber os números "cómodos", queremos saber tudo com transparência.
E já agora permitam-me um comentário, colocar o número de "recuperados"!!!!!! Recuperados de quê? Se passados meses muita gente continua com sintomas devido à infecção e alguns vão ficar com problemas de saúde para o resto da vida. Recuperados de quê? Parece uma falácia para "compor o ramalhete" informativo dos números da pandemia.....só passados meses ou anos muita gente saberá se está realmente recuperada ou não......
Por isso o melhor é prevenirem-se e evitarem mesmo a infecção e o contágio, é a melhor garantia de continuarem bem de saúde. Pelo que percebo e até por amigos, para quem apanha a infecção pelo vírus nada está garantido para o futuro. É uma incógnita. Mesmo depois da fase da infecção passar nada garante que não fiquem mazelas para o resto da vida. Ainda se está no inicio desses estudos complexos mas a coisa não é nada linear quanto ao conceito de "recuperados".
O melhor mesmo, repito, é não se ser contagiado. Daí a importância do comportamento cívico/cidadão.
O cumprimento das normas aconselhadas, de protecção é fundamental. Disso depende, também o estado da nossa saúde, da saúde dos outros e do andamenbto da própria economia, empregos, rendimentos, déficit, etc.
Quanto mais desrespeitarmos essas normas não nos ofendem só a nós, vulgares cidadãos, mas a todo um país que ficou meio paralizado com esta pandemia.
Quem desrespeita as normas anti-pandémicas merece a condenação social de todos nós, e merece ser chamado a atenção por qualquer um de nós.
O seu egoísmo, irresponsabilidade ou ego-centrismo prejudica-nos a todos a vários níveis.
Sinal de má educação cívica, de desrespeito para com o seu semelhante, para quem se está a borrifar, e ostensivamente é uma afronta à saúde de todos nós.
Vamos seguir cumprindo as normas aconselhadas pela DGS pois essa é a garantia que ultrapassaremos rápido esta pandemia e voltaremos à nossa vida "normal" o mais rápido possível.
Tenham um bom resto de dia.
Francisco Colaço


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