A volta dos imperialismos avulsos.

 




Findo o equilíbrio do terror da chamada guerra fria, em que a Europa estava " salvaguardada", relativamente, pois não esqueço a Hungria em 1956 e a Primavera de Praga, em 1968 nem a tolerância com as ditaduras ibéricas, deixa de haver essa salvaguarda actualmente.

O capitalismo mundial, dominado pelo império, EUA, deixou algumas coisas serem feitas na Europa, governos da social-democracia em alguns países, fortes movimentos sindicais, existência de Partidos Comunistas, que saíram reforçados na sequência da derrota do nazismo, algumas formas de Estado-Social, de molde a fazer alguma guerra de propaganda ao "bolchevismo igualitário" dito socialista que supostamente existia a leste. Mas esse tempo acabou. A guerra da Jugoslávia foi de certa forma, sinal dessa viragem. Uma coisa era certa, a leste, a colectivização dos meios de produção. E a não penetração do capitalismo mundial nesses países nem nas suas riquezas. Outra coisa era a organização cívica e política, interna nesses países.

Mas dizia eu, algumas dessas formas de organização social eram "permitidas" na Europa, coisa que nunca existiu nos EUA, que sempre foi uma selva social terrível a juntar ao racismo e xenofobia.
Mas agora já não existe esse "contrapeso ideológico" nem militar. O sistema, dito soviético, mas com uma burocracia interna que o dominava e sugava as riquezas, ruiu por inoperacionalidade e desmotivação interna. Poderia una revolução política ter reposto tudo a funcionar democraticamente no caminho dos ideais originais? Podia, mas décadas de perseguições, assassinatos massivos da sua oposição política interna levou a que não existisse essa alternativa. O resultado foi o retorno daqueles espaços ao capitalismo, com a antiga burocracia interna a transformar-se na nova oligarquia. Os de baixo cada vez piores ...

Mas agora que o capitalismo ocidental exultou com os novos capitalismos a leste nem tudo lhes ia correr bem. A emergência dos nacionalismos. Pretenderam todos aderir à UE.....veio o susto para a opção atlantista, a Rússia não podia. Era muito grande e dava um forte pendor continental a esta Europa que não poderia ter um forte pendor continental. Não deixaria de ser um apêndice do Tio Sam. Que ousadia!

Tentou a Rússia, também, entrar para a OTAN, isso nem pensar......então os EUA iam ter concorrência na condução dos destinos da Aliança bélica? Nem pó!!!!
Mas a razão de ser da Aliança, braço do domínio sobre a Europa Ocidental começava a estar em causa. Os states queriam mais investimento europeu em armas, afinal tem o seu complexo industrial militar. E até sanções foram impostas à Europa. Por Trump.

Nada como uns conflitos, umas guerras, para estimular a economia dos states. Foram vários e foram-se aproximando da Europa. Progressivamente. Fontes de matérias primas exclusivamente europeias foram sendo atacadas e destruídas. Nunca as fornecedoras dos states, como a Arábia Saudita, por exemplo, mas sim o Iraque, a Líbia, a Síria....o argumento dos direitos humanos não colhe.....então na Arábia Saudita ha direitos humanos, por exemplo? Pois já sabemos.

Mas a Europa que em vez de uma identidade política, administrativa, quer ser apenas uma grande feira comum, foi alinhando e submetendo-se à estratégia imperial. E, na verdade, definhando. Biden, que externamente prossegue, exactamente a mesma estratégia, com táctica diferentes, pois o Pentágono e outras agências, nunca dormem, já encontrou forma de resolver mais uns tantos problemas do seu império. Estimulou e acicatou os nacionalismos exacerbados existentes a leste
De modo a convencer os ingénuos dirigentes ucranianos a testarem um anunciado enfrentamento com o seu vizinho e antigo parceiro a leste. Foram 600 milhões em armamento, que a Ucrânia tem muitas riquezas naturais, foi o envio de conselheiros políticos e militares, foi o treino militar de milícias neo-nazis como o batalhão Azov, o sector direito, entre outros. Só que o
🐻
candidato a novo Czar, um dos magnatas das riquezas anteriormente do estado soviético decidiu saltar da toca e antecipar-se militarmente, nesta sua invasão criminosa. Não vou falar aqui dessa teoria nacionalista ucraniana de um só povo. Não o é! São vários povos.

Mas diriam os romanos "Álea Jacta est".






Agora, os dirigentes ucranianos, infelizmente, tarde, dão-se conta do engano em que foram metidos, porque evidentemente a ocidente ninguém se vai meter nesse atoleiro e começar uma terceira guerra mundial, com características novas, atómica, desta vez. E espero que assim se mantenha, na verdade.

O império ja refez o seu mercado do gás, das armas e reforçou a OTAN. Os preços das matérias primas estão a subir e a Europa, com mais mercados de matérias primas destruídos vai pagar a factura, uma vez mais. Quem pagará, tragicamente outra factura é o povo ucraniano, por um lado, e o povo russo, por outro. Pelo mundo há outros povos que continuam a pagar pesadas facturas. O Palestiniano, o Afegão entre outros.

A actuação cretina e criminosa da administração norte americana, a do assassino Putin, que antes fazia as delícias do capitalismo ocidental e a irresponsabilidade extremista nacionalista e estupidamente ingénua dos dirigentes ucranianos trouxeram-nos a onde estamos.
A administração norte-americana tem razões para estar feliz. A única vitoriosa neste conflito pois é quem sai a ganhar.

Militarizar a Europa não!
Reforçar a OTAN não!!
Alimentar a guerra e o conflito fazendo-a subir de patamar, não!!!
Exigir negociações de paz.
Exigir a paragem imediata da invasão e da agressão.
Todas as medidas não bélicas para tentar parar o conflito devem ser tentadas.
Onde está o secretário geral das Nações Unidas? Ele que tanto medo tem de pântanos. Foge logo.
Apoio e ajuda a todos os refugiados, (e não só a loiros de olhos azuis)
Controlo administrativo dos preços das principais matérias primas, necessárias à Europa.
Desenvolver uma política de paz, na Europa no mundo.
O capitalismo e as suas guerras tem de ser combatido por todos os democratas e amantes da paz
Putin fora da Ucrânia!!!
OTAN fora da Europa!!!
(Das guerras sabemos como começam.....nunca como irão terminar)

Francisco Colaço

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