A guerra tampouco é binária
Nada no mundo ou na vida é a preto e branco.
"Percebe-se o sentido de um conflito quando verificamos quem beneficia com ele"
A arquitectura deste conflito foi de mestre. O Pentág@no não dorme, quem anda a dormir é a Europa e os seus líderes....
Uma resumida retrospectiva......
Provoca-se a Russia consecutivamente desde 2014, e a sua oligarquia dirigente, que se tentou introduzir no mundo do capital ocidental e mundial, capitalistas modernos e frequentar os salões do capitalismo internacional e do poder mundial. Tentaram a União Europeia e até a OTAN.
Só que a estes, dominados pelos interesses e orientações imperiais do Tio Sam, a quem não agradou nada estes novos competidores, recusaram essa "intromissão", sobretudo porque não abriram as suas riquezas naturais às empresas estado-unidenses.
Mas, por outro lado, a Europa começa a ter relações económicas priviligiadas com as autoridades russas, e com a Russia, porque afinal a Europa vai do Atlântico aos Urais e novos produtos a leste interessaram à Europa, sendo que também muitos produtos ocidentais interessavam à Russia.........no Algarve, por exemplo, produções de laranja eram produtos exportados para esses mercados, para dar um exemplo.
Ora, uma Europa sair debaixo do capote da OTAN e do Pentágono, buscando novos aliados, ainda por cima muito próximos, geográficamente, "qualquer dia ainda querem ter uma defesa comum própria" e isso é que não pode ser.........até Macron já dizia que a OTAN não fazia falta nenhuma, que era um gasto desnecessário............Tudo isto foi um momentâneo pesadelo para o Pentágono. e seus interesses globais.
Como fazer? Pensaram e arquitectaram uma estratégia. Estas políticas estratégicas superam os mandatos deste ou daquele presidente, isso é mais para consumo interno. Na área externa as coisas quase que têm vida própria.......tudo centrado no Pentágono.
Usar o aliado adequado, com ambição, disposto a "vender-se", a dar o dito por não dito, depois de eleito, com grande animosidade com os antigos parceiros russos, e imbecil q.b. para o desempenho do papel.
Convencem-no que até poderá "ocupar" Moscovo se tiver as armas adequadas e aderir à OTAN.
É o "orgasmo zelenskyano"........que todos os dias o vemos em campanha nas nossas tv's........
Iniciada a estratégia sucedem-se as acções, prossegue com as provocações perseguindo as populações de lingua russa, para o qual se aproveitou o Batalhão Azov, integrando-o complementarmente nas forças militares do país.
Não cumpre o acordado em Minsk, que era precisamente o respeito pelas autonomias regionais dessas populações, e crê-se tanto de costas quentes, que prossegue sem hesitar nessas políticas agudizando o conflito interno, ajudando os oligarcas e a corrupção reinante, em tudo igual à russa, pois vêm do mesmo mundo. O filho de Biden tinha interesses empresariais na Ucrânia.
Destruir tudo o que foi conseguido e que era publico, como na Russia. 70 anos de desenvolvimento para o bolso dos oligarcas e das máfias emergentes.
Putin foi vendo a provocação e acreditou que teria de dar uma lição a esta aprendiz de feiticeiro das artes circenses. Uma invasão relâmpago e ocupa-se Kiev, impõem-se governantes afins e negoceia-se o cessar fogo em dominância. A Ucrânia não entrará para a Nato, (já Mario Soares alertava para essa eventualidade, pois previa que para aí tenderia o Pentágono) e deixará de haver provocações contra as populações de língua russa, este era o 'plano de Putin, deduzo eu, mas poderia ser pior ainda, ele que agora sonha em ser czar.....
Mas as operações militares falharam, os EUA estavam alerta e sabiam que o "coelho" iria sair da toca depois de tanto acosso e foram informando os militares ucranianos por onde iriam as tropas de Putin entrar...... Não tomaram Kiev e tudo se complicou a partir desse momento.
Alteraram a estratégia e baseados em territorios afins, tentam cortar o acesso da Ucrânia ao mar, baseando aí a sua autoridade militar.
O Pentágono com um complexo industrial militar ávido de novos mercados tratou logo de se posicionar para fornecer armamento, mas enquanto este era fabricado, deu "ordens à Europa" que fosse fornecendo armamento seu e tivesse a primeira onda de choque do conflito.
Claro, na OTAN manda o Pentágono.
Mas o que é que a Europa tem a ver com os interesses estratégicos dos EUA?
Um império em decadência, a perder dominância no mundo, apesar das centenas de bases militares espalhadas pelo planeta, pois daí lhe advem a força, por enquanto.
Uma moeda cada vez mais falhada e sem valor.
Economicamente muito debilitados os EUA tentam jogar uma cartada.
Colocam a Europa a sofrer as ondas de choque do conflito, obrigam a sanções, a Europa fica com um rafeiro a morder-lhes as canelas, instigado pelo dono, exigindo de tudo, armas, dinheiro, sanções, etc. Oligarca de costas quentes brinca com a Europa.
Por outro lado os oligarcas russos nunca pensaram neste suicídio europeu, pensando que os dirigentes europeus fossem mais inteligentes....e defendessem os interesses específicos da União Europeia.
Enganaram-se e actuaram em conformidade. Cortam o fornecimento de gás....
As sanções decretadas pela Europa fazem da Europa e dos povos europeus a sua principal vítima, embora atinjam alguns oligarcas russos, enquanto favorecem os oligarcas ucranianos.
Falo da "real politik", não de pressupostos teóricos propagandistas, que não alimentam, nem matam a fome a ninguém.
Biden há muito que queria impor o seu gás à Alemanha, muito mais caro, de pior qualidade e de pior impacto ambiental.
Biden já ganhou a parada.
Os EUA estão-se a sair lindamente deste conflito, os únicos, e destroem, simultâneamente a economia de dois competidores, a Europa e a Russia, tendo esta, forma de o contornar, o que já está a fazer, virando-se para a Ásia.
Putin aproveita para fazer uma limpeza nos oligarcas desafectos, tal como Zelensky faz o mesmo, impondo uma ditadura mais dura onde nunca houve democracia, tal o grau de corrupção, que existiu e prossegue.
A Industria alemã em risco de colapso, que é o motor da Europa.
Os preços a subirem a austeridade a chegar, as dívidas soberanas a encontrarem problemas pela subida das taxas de juro.......uma Europa a entrar em coma e sem saída aparente, mercê destes incompetentes que deveriam ser corridos da gestão dos assuntos comuns e responsabilizados pelo que fizeram.
Uma Russia, com a mafia de Putin, com um grave dilema militar, com alguns problemas económicos, mas a aguentar-se e a virar a sua economia para a Asia.
Uma Ucrania meio destruida, gerida por um megalómano irresponsável, que provocou milhares de mortos com a sua mobilização militar obrigatória de todos os homens, em que muito foram carne para canhão, e convencido que vai impor uma derrota ao "urso russo", continua a receber cada vez mais armamento e a endividar-se cada vez mais.......não há almoços gratis.......provavelmemnte os próximos 100 anos serão para pagar a dívida aos EUA. Outro ganho para estes cavalheiros e o seu complexo industrial militar.
A Europa nunca pensou numa solução de paz, obrigando a negociações, nunca teve voz autónoma, nunca pensou pelos seus próprios interesses e cabeça.........basta ver os espécimes que temos a liderá-la para percebermos as barbaridades estratégicas cometidas. Seria cómico se não fosse uma tragédia.
Ou a Europa se liberta de vez da pata dos EUA e desenvolve "personalidade" económica, politica e militar, ou vai necessitar de um novo Plano Marshal quando tudo isto acabar e mais um balão de oxigénio para o capitalismo imperial dos EUA a nascer na Europa, que ficará como a Ucânia a pagar dívidas as próximas décadas. A falência do sonho europeu.
Vamos viver pior nas próximas décadas, mas muito pior e será para gerações.........Entretanto a Ásia consolida-se como região económica, inicialmente, e depois militarmente, mesmo como o principal polo do planeta, não conseguindo o Pentágono evitar a sua própria decadência, e arrastando a Europa para o mesmo caminho, de onde, provavelmente, e para seu gláudio, vir a implosão da UE e será cada um por si.
A Ucrania pode virar um Iraque ou fragmentar-se, garantindo aos donos da OTAN as bases militares que sempre sonharam. Isto se as armas nucleares continuarem nos seus silos.
Seremos o outro quintal dos EUA, para além da America Latina, talvez ainda mais enfeudados e dependentes.
A OTAN transformar-se-á numa aliança militar que defende os interesses estratégicos dos EUA, a nivel mundial, talvez com a entrada do Japão, de Taiwan, etc, com novas áreas de intervenção.
Os povos ucranianos e russus continuarão sos a ditadura dos oligarcas......e serão as grandes vítimas desta guerra de agressão russa, mas planeada pelo Pentágono e alimentada por outro louco, em Kiev.
Obviamente que a opção nuclear nunca será considerada, creio, a não ser como instrumento de dissuasão.
Os centros de poder mundial oscilarão entre Washington e Pequim/Moscovo e a Europa ficará reduzida a umas economias marginais e pouco mais. Teremos sempre o agente-mor do Pentágono, agora fora da UE, ao largo do Canal da Mancha .........
Temos de agradecer à qualidade e inteligência dos lideres europeus que temos e também aos próprios governos, que fizeram do projecto europeu um simples bluf para alguns negócios e pouco mais.
Uma outra Europa é necessária, outros políticos são necessários, outro paradigma é necessário.
O capitalismo, agora na versão vegetativa do neo-liberalismo não comporta nenhuma solução para ninguém, a não ser para a produção de milionários.
Serve-lhe a guerra, a destruição a submissão, desde que lhe toque a partilha dos despojos da refrega...dignidade e ideias, nenhumas a não ser a dos cifrões.
Fica a democracia, a paz entre os povos, a justiça, a defesa da vida e do planeta para nos tornarmos numa sociedade justa e igualitária. Temos, pois, tarefas a desenvolver.
Vamos pensar nisto, sim?
(Estados Unidos Socialistas da Europa...um bom paradigma, não???!!!)
Francisco Colaço
09/2022





Obrigada!
ResponderEliminarDe nada, se quiser pode partilhar, é um tema e uma discussão muito actual e com muita intoxicação.
EliminarPrezado Colaço…Agradeço o envio da matéria referenciada que identifico sucinta grandes e importantes reflexões….!!!
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