"Sopa no prato, pão na mesa."
"Tão bom deputado, fala tão bem."
"Domina mesmo o assunto e até tem razão, e até tem um doutoramento. Foi uma verdadeira lição de oratória, estava indignado mesmo."
E o que interessa isso ao sem abrigo, ao trabalhador despejado com a familia para a rua, ao jovem que ganha 1 euro por cada entrega, à mulher discriminada e preterida para um emprego que necessita, ao estudante que tem de parar de o ser porque não pode pagar as despesas, ao polícia que tem de fazer imensos gratificados porque o salário não chega para pagar a renda, à enfermeira que tem de ir trabalhar lá para fora para poder viver, ao trabalhador fabril que depois da fábrica tem a sua oficina para compor o salário, ao camionista que vai enganando o tacógrafo e trabalha horas infindas para aguentar o seu posto de trabalho, ao brasileiro ou nepalês que tem de trabalhar sem recibos para ter emprego, com baixo salário, à minha vizinha que tem de pôr quatro camisolas para aguentar o frio, porque não pode ligar o aquecimento, não tem dinheiro para isso, etc, etc. ??? !!!
É nesta dimensão que está o país real. Enquanto uns lutam por cargos e carreiras políticas exemplares, "a defender o povo" e expulsam e afastam vozes críticas, a outra dimensão, fica entregue ao populismo de extrema direita, não tão elaborados, aliás, nada elaborados no seu primarismo, mas chega a mensagem da indignação e do aparente desespero às pessoas, infelizmente.
Enquanto uns cuidam das carreiras e dos seus cargos colectivos para uma liderança que cada vez mais é para um vazio, outros tentam, oportunisticamente, chegar aos excluídos, vendendo uma narrativa racista, xenófoba, mas "vendem" algo e a mensagem chega. A imprensa está com eles.
Porque não têm solução para nada a não ser criar confusão na esteira da vinda de um "conductor" e colocar "tudo na ordem".
Mas os outros não vendem nada, gerem carreiras e perfis, aliás, autoritáriamente. Não servem.....perderamm a frescura e a convicção. Também, são cada vez menos ouvidos....
O crescimento de uns será só mérito deles, ou será que outros se retiraram do "jogo" da luta de classes, para "gerir projectos pessoais" perdendo por falta de comparência e sem estratégia e alimentam esse crescimento indirectamente?
Pois é.
Pensem nisso........temos de "virar a tortilha'...
Há gente que já não serve..... Não faz parte de nenhuma solução....antes do problema...
Renovação necessita-se, mas não a renovação na continuidade.
Não às "agências de empregos", e não é de uma dependência de uma qualquer faculdade para um mestrado ou doutoramento que necessitamos.
Ou é um instrumento para a luta de classes para defender, dar voz, emponderar e mobilizar as classes desprezadas desta sociedade, os de baixo, não para contabilizar meros cálculos eleitorais, para virar o tabuleiro e o jogo, tal como estão a fazer os professores e as professoras......ou não serve para nada no colectivo, pois tudo tem um limite para a indignidade e o desrespeito pela condição humana e há que agir.
Quem está em fim de ciclo que saia que a alegria, ousada, da luta sem quartel, pelo futuro, tem urgência em emergir e ocupar todos os espaços "mortos e pastosos".
Não há outro caminho......apontar soluções, avançar.
"Sopa no prato, pão na mesa". Nada menos que isso.
A luta sem tréguas ou a tragédia anunciada, porque já não há lugar no meio da ponte....estreitou.....e a nossa vida e a nossa saúde depende disso mesmo.....da luta sem tréguas.....pela justiça.
Francisco Colaço
Seis palavras, só, que dizem tanto. Obrigada, boa noite!
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