Bens publicos ao abandono, interesses privados à espreita?

DA IRRESPONSABILIDADE DO PODER POLÍTICO E ADMINISTRATIVO....

Que responsabilidades são atribuídas a quem, gerindo este património, o não acautelou?

Nenhumas. Nada disto tem consequências para quem, aos diversos níveis da máquina administrativa do estado, não cumpre com a sua função. Somos, no geral, uma cambada de irresponsáveis, a quem nunca ninguém pedirá responsabilidades.
E sabendo do património abandonado, o que custa "ir buscar umas telazinhas ao palácio Burnay"?



Quem poderia saber do seu abandono e sem vigilância?

O Estado não exige responsabilidades aos seus responsáveis, quem gere sabe desta impunidade e quem governa não muda nada porque lhe interessa, de certa forma, essa cultura instalada.
Só quando há uma grande bronca, com efeitos mediáticos e que pode ter custos eleitorais, então sim, é que se dá uma aparência e se cria uma CPI para averiguar, mas de resultados sempre duvidosos.
É mais para aliviar algumas culpas de quem deveria ter a responsabilidade gestora como método e não como excepção do que para algo de correctivo.

Somos um bando de "novos ricos" deslumbrados com o poder governativo e com as responsabilidades atribuídas, cuja primeira preocupação é "como não ser responsabilizado por nada", mais tarde, e, portanto, nunca poderão exigir responsabilidades pelas cadeias de mando subsequentes. É a imagem que interessa. "Mãmã, sou ministro", lembram-se?




Assim se cria uma cultura de irresponsabilidade, de impunidade e de cumplicidade colectiva com essa mesma ausência de responsabilidade.

Não é de hoje, na ditadura era igual ou pior.....só o ditador e a sua polícia política controlavam, por interesse próprio do ditador alguma coisa, outra era abafada, "a bem da nação". Todos conhecemos o sistema de favorzinhos de outrora, por isso não era responsabilidade, eram paninhos quentes à vontade do ditador.

Não mudámos muito.

O que é público é descurado e se puder ser "absorvido" por algum interesse privado, como sempre foi, melhor ainda.

Tudo com muito " olhar para o lado" de quem o deveria defender, o interesse público, mas que nunca está ganho, culturalmente, para essa tarefa, mas sim para que nunca reparem nele, afim da sua continuidade no cargo.
São os eternos burocratas, quiça, nomenKlatura, num regime democrático.

A primazia desta cultura neo-liberal, que se instalou no nosso centro político/administrativo e na direita, é sempre a do interesse privado.

Já o público é destinado a servir os interesses privados de uns poucos.



Depois, para calar algumas vozes, dão alguma assistência aos muito pobres, só esses, e cada vez é mais assim, pois o grosso das classes intermédias ficam à sua sorte.

Republicanismo só no 5 de Outubro e que não se pense muito na cultura republicana.....incomoda esta gente.
Portanto o Estado serve os grandes tubarões dos interesses económicos e os muito pobrezinhos, assistêncialmente, e as classes intermédias ficam entregues à especulação dos interesses privados.

A irresponsabilidade da gestão da coisa pública é total, e então se se tratar de fundos europeus, não faltarão os lobbys, do centro político, a "acompanharem" a sua execução com o poder político a criar um emaranhado, administrativo, tremendo, para, os mesmos, poderem ser atribuídos, e claro, servindo uma forte clientela jurídica, intermediária, unicos entendidos na matéria.
Pois só através dos quais poderão existir candidaturas, tal a dificuldade administrativa, que mais ninguém consegue entender.

Dificuldade essa que desaparece, depois, no controlo da correcta aplicação desses mesmos fundos. Depois são só facilidades.

Alguém ainda se lembra do "girocídio"? E de outros "fenómenos" do mesmo género.

Pois é, esquemas próprios de serem invejados por uma qualquer outra máfia.
No capitalismo de versão neo-liberal, a máfia continua. impune.

Poderá ser diferente?

Claro que sim, mas se questionarmos estas regras, mafiosas, logo seremos acusados de marxistas, socialistas, comunistas...e a mim, na verdade, que me importa???!!!......

Concumitantemente, cada vez está mais visível a necessidade de recordarmos a célebre máxima ...

"Socialismo ou barbárie", agora devido aos resultados desta nova vaga destruidora, do ambiente, do capitalismo neo-liberal, se actualizou para


"Ecossocialismo ou Barbárie"


(não há terceira via)




Francisco Colaço


(fotos MiT em artigo de Sara Lopes, que serviu de "leitmotiv" a este)


https://www.nit.pt/fora-de-casa/na-cidade/o-palacio-abandonado-que-ja-recebeu-as-melhores-festas-universitarias-de-lisboa?fbclid=IwAR2DWmoEV22ImOZsf-2J1BM5CKwnEheZD1BWAOpWA18LhBojrRI0dnCS53A

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