O “novo humor” da extrema-direita, ou talvez não.
Resumo da realidade...no ano da graça de 2024...
Assunto: as mulheres do meu país, do nosso mundo
“Foi comunicado que concluíu-se que 25 mulheres foram assassinadas em Portugal no período indicado, das
quais 15 foram femicídios. A União de Mulheres Alternativa e Resposta pede
mais medidas de proteção e que ninguém hesite em denunciar um crime que é
público.” (Notícias da
Universidade do Porto, [ Sic
Notícias online – 25.11.2023])
O Observatório de Mulheres
Assassinadas - OMA/UMAR pede mais medidas de proteção para quem denunciar um
caso de violência doméstica
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30 de Novembro, 2023
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Por Joana Macedo / FPCEUP
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Assassinadas 25 mulheres em Portugal até 15 de Novembro
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Houve pelo menos
15 femicídios, ocorridos em contexto de intimidade. UMAR insiste que é preciso
mudar o paradigma para alterar esta realidade. Seis dos 15 agressores
suicidaram-se após o crime.
· 22 de Novembro de 2023, 15:04 (Público)
26 março 2023 às 22h15
Há uma década que não havia tantas violações
A violação deve ser crime público? Quase 107 mil portugueses querem
mudanças na lei. O tema que divide os partidos vai quinta-feira a debate no
Parlamento, na semana em que ficámos a saber que o número de processos aumentou
na ordem dos 30% . No DN, os testemunhos sob anonimato de mulheres violadas.
(Diário de Notícias)
É a subida mais alta na última década: mais de 500 inquéritos
pelo crime de violação, um aumento na ordem dos 30%, segundo apurou o DN.
"Não estupro porque você não
merece", diz Bolsonaro a Maria do Rosário, deputada.
Vídeo abaixo
https://www.youtube.com/watch?v=LD8-b4wvIjc
...
Todos os dias, todos os anos somos “agredidos” regularmente com notícias
destas, infelizmente.
Um dos castigos em situação de guerra contra as mulheres dos países invadidos é a sua violação pelas tropas invasores.
Foi assim na segunda guerra
mundial, foi assim na guerra dos Balcãs, a vez das mulheres muçulmanas violadas
pelas tropos sérvias, na guerra em Espanha, pois nos territórios franquistas era
usual essa mesma penalização por se ser mulher e republicana, um objeto da conquista. Agora
mesmo em Gaza o mesmo está a suceder a muitas mulheres palestinianas, as que
conseguem sobreviver aos bombardeamentos.
As mulheres, sempre as mulheres, secularmente as vítimas de um sistema e
de uma sociedade patriarcal que as culpa pelo “pecado original”, ainda que de
forma subtil, não assumido. Mas na verdade é uma narrativa misógena, machista,
sexista e racista que culturalmente suporta estes comportamentos criminosos. Já foram bruxas, pecadoras, libertinas, etc.....
E como é um
violador?
“II.5.Classificação dos Violadores
Em relação à
classificação dos agressores sexuais, no que diz respeito aos violadores, podem
considerar-se duas classificações, a de Jocelyn e a do modelo contemporâneo,
elaborado por Knight e Prentky. Para Jocelyn, a classificação é definida
através de critérios próprios, tendo em conta a motivação do indivíduo e o seu
comportamento, assim como as características do crime e as características da
vítima.
Existem quatro categorias de
classificação dos violadores: a busca pelo poder, a raiva, o sadismo e o
comportamento anti-social. No entanto, Jocely considera a existência de
violadores com características particulares, que não podem ser inseridos nessas
mencionadas.
Na categoria da “busca pelo
poder” estão incluídos os homens que se sentem perante a sua vida e em
relação às mulheres, devido ao facto de não conseguirem estabelecer uma relação
íntima. Para estes violadores, a violação é encarada como um ato de domínio e
superioridade, permitindo-lhes afirmar a sua virilidade e competência sexual.
Os violadores desta categoria planeiam o crime, tendo como objetivo, o rapto da
vítima, de modo a que a consigam dominar. Escolhem vítimas da sua idade,
questionam-nas acerca da sua vida pessoal e procuram averiguar se apreciam o
momento em causa. Após cometerem o crime, explicam à vítima que não tinham
intenção de a magoar.
No que respeita à categoria “Raiva”,
o ato é impulsivo, espontâneo e bruto, tendo como objetivo a humilhação e o
sofrimento da vítima. O crime é desencadeado por um momento específico,
nomeadamente uma discussão familiar ou de outro tipo. Os violadores desta
categoria atuam por raiva e não por excitação sexual, devido ao facto de
sentirem ressentimento face a uma situação passada. A vítima é normalmente
desconhecida e não agrada ao agressor, que descarrega nela toda a sua raiva.
Relativamente à categoria “Sadismo”, o violador planeia as suas agressões não espontâneas, com o intuito de realizar um ritual de tortura psíquica ou psicológica, que tem como objetivo aterrorizar e suscitar o desespero da vítima, ameaçando-a de morte. As vítimas são desconhecidas, mas apresentam características que o agressor deseja, agradando-lhe fatores como idade, a aparência e o estatuto social. Este violador pode ainda ser caracterizado pelos maus-tratos que inflige à vítima, nomeadamente golpes, tortura, queimaduras e lacerações, ainda que tais atos sejam erotizados.
Na categoria “comportamento
anti-social”, o violador apresenta comportamentos antissociais. Estes
indivíduos são impulsivos, querendo satisfazer e sobrepor as suas necessidades,
aos valores da sociedade. Os violadores não sentem raiva em relação às
mulheres, vendo-as como um objeto de satisfação das suas necessidades.
Apresentam uma problemática anti-social mais do que sexual, sendo o crime
sexual, algo secundário face ao seu modo de vida de predação.
Finalmente, no que respeita ao
modelo contemporâneo desenvolvido por Knight e Prentky, os violadores
categorizam-se por quatro motivações: o oportunismo, a raiva indiferenciada,
a motivação sexual e a motivação vingativa.
O “oportunismo” significa
que estes violadores possuem uma competência social forte e aproveitam o facto
de terem relação com as vítimas, para as atrair e agredir. Normalmente as
vítimas são conhecidas. Estes violadores procuram uma gratificação sexual
imediata, recorrendo à força. O violador revela um hábito de predação
impulsiva.
A “raiva indiferenciada”
significa que o tipo de violência utilizada pelo agressor não é sexualizada,
não se verificando a existência de fantasias sexuais relacionadas com o crime.
Neste caso, a vítima não demonstra resistência e o ataque é sempre violento. A
raiva indiferenciada pode ainda caracterizar-se pela impulsividade e frustração
verificadas em diversos momentos da sua vida, assim como pela fraca capacidade
de tolerância.
A “motivação sexual”
significa que os violadores sádicos têm fantasias e comportamentos sádicos, que
apresentam violência. São indivíduos ansiosos e sexualmente agitados. Sempre
que as vítimas resistem às investidas do agressor, este sentimento de
incompetência em relação à sua masculinidade.
Por fim, a “motivação
vingativa” significa que os violadores apresentam um estilo de vida
impulsivo, atacando de forma bruta, com o objetivo de humilhar e magoar a
vítima. Estes indivíduos são ainda caracterizados pela raiva que centralizam
nas mulheres.
As motivações apresentadas por
Knight e Prentky revelam-se insuficientes, enquanto a classificação feita por
Jocelyn é mais abrangente, uma vez que dela fazem parte as motivações
primárias dos indivíduos mas também outros fatores, como por exemplo, os
seus comportamentos, as características do crime e as características da
vítima.”
(---)”A psicopatia, os atos agressivos e o perfil antissocial está intrinsecamente relacionado com os violadores. É difícil aferir as diferenças entre os abusadores sexuais de crianças e os violadores, uma vez que os estudos apenas comparam os agressores sexuais de crianças e os violadores.” (Agressores Sexuais: Caracterização de uma Amostra Portuguesa, Barros Verónico, M.S., Dissertação em Mestrado de Medicina Legal 2015, Instituto de Ciências de Abel Salazar da Universidade do Porto).
Apresentada e caracterizada o
quadro social, psicológico da situação, contrariamente ao que se possa pensar
traduz-se numa ameaça pública grave pelo que está implícito e explícito.
Nesta ameaça de violação, (prostituição forçada, a todas as mulheres da esquerda portuguesa, do Bloco, do PS, do PCP do MAS, do MRPP, ) particularmente à Renata Cambra, o enquadramento misógino, machista, violador está explícito.
A ameaça a todas as mulheres, primeiro por serem mulheres, depois por serem de organizações políticas de esquerda e particularmente na pessoa de uma jovem, dirigente de uma organização política da esquerda e professora, está a clara “sentença”, publica, de um dirigente da extrema-direita, que tendo seguidores e tendo sido esse diálogo do domínio público, está bem de ver o risco que passarão a correr as mulheres do meu país, e a Renata, até para além de serem de esquerda ou não, porque para além da questão ideológica ressalta a questão da violência de género, também.
Em termos processuais o Tribunal produzirá o seu juízo, e a condenação, ou não, consoante a produção de prova, naturalmente, mas enquanto comportamento social, público e político, tais afirmações devem merecer a mais profunda repugnância por parte de todos e todas as cidadãs deste país.
Todos e todas as democratas, todas as mulheres, todas as organizações feministas, e até todos os partidos deveriam ter-se manifestado solidários com a única mulher, visada individualmente, que teve a coragem de levar este comportamento à Justiça.
Sabemos bem a quantidade de vítimas que todos os anos temos em Portugal, num crime em que está tipificado este quadro mental de desconsideração de género contra as mulheres.
Os assassinatos e as violações de mulheres não são invenções.
Fazer a apologia destes crimes, de forma pública, já é em si mesmo um comportamento social grave, e caso se venha a confirmar, em Tribunal, os seus autores, alguém com uma visibilidade pública reconhecida e com discípulos seguidores e simpatizantes, torna-se ainda mais grave. O alarme social óbvio, a insegurança criada e prejuízos para a vida privada das visadas é manifesto e entendível, vindo de alguém com histórico de condenações judicial por crimes vários ligado a crimes de ódio, racismo e outros comportamentos de intimidação física.
Cumpre-nos, nestes 50 anos do 25 de Abril demonstrar que
defenderemos a democracia, defenderemos comportamentos solidários, inclusivos,
de respeito pela diferença, de defesa da multiculturalidade tão natural num Portugal
com tanta diversidade, tantas origens e tantos destinos. Talvez sejamos o país,
historicamente mais multicultural da Europa. Faz parte de nós, partirmos para o mundo e recebermos bem quem vem ter connosco.
Como democratas, como cidadãos de Abril, como gente de esquerda, só poderemos estar
solidários com a Renata Cambra, com a mulher, com a jovem, com a dirigente
partidária e até com a professora, porque também aí poderá ter tido prejuízos
deste ofensa e ameaça à sua integridade física e moral.
Desejo as maiores felicidades à Renata, fazendo votos para
que justiça seja feita, apelando à solidariedade de quem não pode falar na
defesa das mulheres e esquecer a Renata no seu significado e na sua coragem e
indignação. Eu, militante e dirigente do Bloco de Esquerda estou solidário,
como não podia deixar de ser.
A próxima audiência é a 27 de Fevereiro pelas 17 horas no Campus da Justiça.
A presença de todas e todos é importante, sobretudo para a Renata.
Com as mulheres do meu país não se brinca! Respeitam-se!
25 de Abril Sempre, fascismo nunca mais!!!
Miguel Colaço
Nota: a denuncia em questão:



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