O senhor dos afetos
Conheci este senhor. Vestia bem, era super educado e estava quase sempre alegre....era idoso....mas boa figura....e muitas vezes me disse adeus, no largo do Saldanha, em Lisboa. A mim e a milhares de circulantes que de carro ou mota passavam por ele... Durante horas seguidas nos cumprimentava alegremente, naquilo que parecia ser o seu desígnio civilizacional. Encontrar um pouco de humanidade no movimento pendular de um espaço motorizado e estressado etc uma boa coisa, uma "boa onda", diria eu....o seu sorriso bondoso ficava-nos na retina por largos minutos ...a sua não no ar a saudar-nos era como se sempre lá tivesse estado. " O Senhor do Adeus ".... Que histórias estariam por detrás daquele simpático senhor? Que mágoas transportaria aquela saudação compulsiva? O porquê da necessidade de extravasar afetos num local de passagem tão efémero? Talvez nunca o saibamos. Mas lembro-me com carinho da sua presença sempre positiva e alegre.... Quantos senhores do adeus nec...