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O senhor dos afetos

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  Conheci este senhor. Vestia bem, era super educado e estava quase sempre alegre....era idoso....mas boa figura....e muitas vezes me disse adeus, no largo do Saldanha, em Lisboa. A mim e a milhares de circulantes que de carro ou mota passavam por ele... Durante horas seguidas nos cumprimentava alegremente, naquilo que parecia ser o seu desígnio civilizacional. Encontrar um pouco de humanidade no movimento pendular de um espaço motorizado e estressado etc uma boa coisa, uma "boa onda", diria eu....o seu sorriso bondoso ficava-nos na retina por largos minutos ...a sua não no ar a saudar-nos era como se sempre lá tivesse estado.  " O Senhor do Adeus ".... Que histórias estariam por detrás daquele simpático senhor? Que mágoas transportaria aquela saudação compulsiva? O porquê da necessidade de extravasar afetos num local de passagem tão efémero? Talvez nunca o saibamos. Mas lembro-me com carinho da sua presença sempre positiva e alegre.... Quantos senhores do adeus nec...

Rude Praxis Sed Praxis

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  A Praxe Académica: Uma Tragédia Cómica em Atos (Ensaio satírico sobre o infantilismo travestido de tradição) I. O Rito dos Macacos Engravatados Em pleno século XXI, assistimos ao espetáculo patético de adultos a assobiar para bonecos de pasta, ajoelhados em praças públicas, repetindo lengalengas com a solenidade de um papa bêbado. Estes  homines academici  — ou melhor,  adolescentes prolongati  — acreditam piamente que humilhar caloiros com provas de "coragem" (como beber litros de sangria ou lamber o chão de bares imundos) os liga a uma linhagem ilustre que inclui Camões, Egas Moniz e Sophia de Mello Breyner. Que façam favor de mostrar onde, na  Geração de 70  ou nas lutas republicanas, Antero de Quental alguma vez precisou de gritar "Foda-se a puta que te pariu!" para provar o seu valor intelectual. (imagem da Renascença) II. A Fraude Histórica Invoca-se a "tradição académica" e nada sabem, como se praxes modernas tivessem algo a ver com: ...

Atenção aos sinais! Estão aí!

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 Atenção aos sinais! O Ministério Público, depois de andar vários ciclos eleitorais a gerir as agendas políticas com processos e agendas mediáticas cirúrgicas, chegou ao desplante de fazer cair um governo de maioria absoluta. Cirurgicamente e com falsas insinuações. E todos olham para o lado. Os atacados não foram de um lado do expectro. Não esqueço a invasão judicial à casa de Rui Rio, porque de certa forma é um outsider deste sistema montado. A atuação na Madeira também foi uma coisa para uma cena de filmes da Broadway. Resultados? Depois, vai-se a ver e a montanha pariu um rato. O objetivo é a destruição e o descrédito do regime democrático, parlamentar. E falo sim do caso Sócrates, tão mediático, com tantas provas, já condenado na praça pública, e com tão diligentes procuradores no processo. Afinal parece que, segundo o juiz que apreciou o caso, e fê-lo em direto para as televisões, este está cheio de ilegalidades, de erros processuais, de inconsistências de prova...afinal, ...

Portugal e os "coronéis".

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  Crónica: Portugal, um Ilhéus Moderno O nosso país parece ter regressado a um tempo que julgávamos superado, onde os fios do poder se entrelaçam em teias pouco transparentes. A justiça, que devia ser farol, mostra-se por vezes refém de interesses instalados, mercê de alguns agentes pouco dados a estas coisas da verdadeira justiça, cega, surda e muda, enquanto a política se faz com métodos que lembram os antigos  coronéis  — agora de fato e gravata em vez de chapéu de couro. A imprensa, outrora vigia da democracia, debate-se entre a independência e as pressões de um mercado cada vez mais concentrado, monopolista. Desde que esta governação tomou posse, o tráfico de influências e o  jobs for the boys  tornaram-se moeda corrente. As nomeações para cargos tecnicamente apartidários multiplicam-se como cogumelos após a chuva, enquanto a oposição, frágil e sem rumo, não consegue apresentar nem visão estratégica, nem um  Dr. Mundinho  que lhe empreste cora...

O “novo humor” da extrema-direita, ou talvez não.

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 Resumo da realidade...no ano da graça de 2024... Assunto: as mulheres do meu país, do nosso mundo “Foi comunicado que concluíu-se que  25 mulheres foram assassinadas em Portugal no período indicado, das quais 15 foram femicídios.  A União de Mulheres Alternativa e Resposta pede mais medidas de proteção e que ninguém hesite em denunciar um crime que é público. ” (Notícias da Universidade do Porto, [ Sic Notícias online – 25.11.2023]) O Observatório de Mulheres Assassinadas - OMA/UMAR pede mais medidas de proteção para quem denunciar um caso de violência doméstica ·      30 de Novembro, 2023 ·      Por  Joana Macedo / FPCEUP  ... ·        Assassinadas 25 mulheres em Portugal até 15 de Novembro ·        Houve pelo menos 15 femicídios, ocorridos em contexto de intimidade. UMAR insiste que é preciso mudar o paradigma para alterar esta realidade. Seis dos ...